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VIII JORNADAS DE FILOSOFÍA I CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE CIENCIA Y SOCIEDAD Valladolid – Novembro, 1999 MULHERES CIENTISTAS: A afirmação da diferença? Autora: Betania Maciel Doutoranda em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo – Brasil
Nosso objetivo neste trabalho é identificar problemas relativos e específicos à participação da mulher como pesquisadora científica das ciências naturais. Existe uma necessidade humana básica em compreender com clareza a origem do universo, considerando os aspectos culturais de sua civilização. As crianças de sociedades tradicionais, aprendem sobre a vida, ouvindo histórias mitológicas e religiosas, que fazem parte de sua cultura. A ciência sempre foi domínio de especialistas e a maioria de nós, recebemos uma pequena introdução através das "histórias" ouvidas ainda quando crianças e até mesmo, enquanto adultos. Seguramente a ciência é uma necessidade humana básica e essencial sobre os estudos da cultura, a compreensão clara do universo, isto não é nada menos que o conhecimento. Saber-se como se encontra dentro do esquema cosmológico. A comunidade científica e também a comunidade de escritores de ciência tem uma responsabilidade em mudar esse quadro. A ciência não deve ser apresentada como uma atividade isolada que acontece longe do resto da sociedade, mas como uma perseguição cultural profundamente contingente do ser humano. Como alcançar essa meta? Como poderia ser a ciência acessível à maioria das pessoas? E como é a participação do sexo feminino nos estudos da "ciência dura"? A maioria das culturas articula o quadro mundial, através da mitologia ou da religião, mas desde o século XVII que os estudos das ciências físicas aparece contribuindo para uma nova visão do mundo ocidental. A física é uma disciplina pela qual se descreve a realidade, embora a ciência moderna sempre tenha sido um espaço apenas para cientistas especializados e a maioria das pessoas leigas tenham acesso a apenas pequenas introduções. A divulgação de informações científicas é uma obrigação, considerando que a nossa cultura continua refratando a realidade pela lente da ciência, informações que devem ser acessíveis para todo o mundo. A coesão social que liga as pessoas no mesmo vigamento cosmológico, as informações compartilhadas tornam-se um elo para unir comunidades. A maioria das pessoas, hoje não tem senso claro do mundo científico. Apesar do fato de estarmos vivendo um momento de explosão de divulgação científica, há muito pouca coisa publicada sobre física, acessível as pessoas que não são da área específica de ciência e tecnologia. A mitologia e a religião sempre explicaram os mistérios da origem do universo. Qualquer cultura tem suas lendas e mitos que determinam as leis da organização de uma sociedade. Portanto a ciência e a religião sempre estiveram juntas na busca da elucidação dos fenômenos físicos e psicológicos. O acoplamento entre física e religião lança também outras perguntas: Por que é que de todas as ciências, a física é a mais difícil para que as mulheres ingressem ao grupo de pesquisadores? Por que as mulheres sempre tiveram maiores papéis em outras ciências e proporcionalmente menores na física? Como se divulga ciência uniformemente? Considerando que a ciência não tem sexo. Primeiramente temos que entender a origem dos estudos científicos para que depois entendamos qual a participação da mulher na história. Os obstáculos principais de sua inserção nos estudos das "ciências duras." Vamos pensar que para os questionamentos sobre algum conhecimento tem-se que ter acesso a situações e então as respostas podem fazer sentido. Esse acesso ao longo da história da humanidade tem sido muito difícil para as mulheres. Todos os historiadores da era da ciência desde Pytagoras à Stefhen Hawking, tem documentado a relação de Deus e religião. Para explicar os fenômenos da natureza, os físicos de hoje falam sobre a mente de Deus. Isto não é algo novo, mas uma manifestação de uma tradição da idade antiga. A física sempre foi uma atividade quase religiosa, embora tenhamos sido ensinados que ciência e religião são antagônicas. Como no caso de Galileo, separando radicalmente a ciência da religião, afirmando que a religião era um impedimento à "razão científica" e hoje o que se observa é que a física também pode ser vista como uma "ciência sacerdócia." Uma ciência que ao longo da história esteve sempre acompanhada por inspiração teológica. Desenvolvendo esse acoplamento entre ciência e religião, podemos identificar um caminho para várias respostas sobre a participação da mulher nos estudos das "ciências duras." As mulheres enfrentaram contestações sempre que se punham à mostra, sempre que saiam de seu espaço privado. A cultura sacerdotal foi mais uma barreira poderosa para que o acesso ao conhecimento científico ficasse restrito aos homens. A construção de esclarecimento de que as mulheres são oposição à ciência teve sua base na teoria que as mulheres e homens eram dois tipos diferentes mas complementares de seres. Acreditando que o masculino e o feminino foram constituídos por natureza de propósitos diferentes, cada um tem um papel na sociedade. Teoricamente os dois sexos eram iguais, mas na prática, hierarquicamente os pontos mais altos pertenciam ao homem e os mais insignificantes às mulheres. "Faltam o gênio às mulheres para se ocupar da procura do abstrato e de verdades". Realmente, Rousseau, Kant, Meiners, e uma lista longa de intelectuais não acreditavam seguramente na capacidade da mulher para os estudos científicos. A mulher mostrava-se eficiente em administrar o privado. Com relação ao público ela era incapaz de gerir qualquer atividade. Este dualismo público-privado, masculino-feminino era o ímpeto do velho preconceito clerical, que os estudos das leis da natureza era especificamente uma tarefa para masculina. Assim as mulheres eram "naturalmente" situadas na esfera privada e os homens comandando o espaço público. A velha mentalidade Aristotélica asseguraria assim a situação das mulheres na idade moderna e elas, continuariam sendo excluídas das arenas oficiais de ciência. Quando Rosseau escreveu a d’Alembert que às mulheres faltam a chama celestial, ele falou isso no século XIII , no tempo em que o entendimento da natureza provinha das idéias do homem matemático. Como em todas as ciências, as mulheres enfrentaram muitas barreiras e com relação à física, o problema não fica reduzido a apenas uma causa. A ligação da física com a religião na idade antiga, montou uma poderosa ressonância psicológica e cultural, como uma barreira, na participação das mulheres nesse campo, até os dias de hoje. As primeiras universidades foram abertas à volta do século XII: Bolonha em 1190; Paris em 1200; Oxford em 1210; Salamanca em 1218. Estas novas Instituições de aprendizagem eram organizadas pelo sistema escolar catedral, onde os sucessores eram treinados em centros de recrutamento especificamente masculinos. Mais uma vez, as mulheres não teriam acesso às aulas. As mulheres não podiam ir à universidade, elas eram efetivamente impedidas de participar dos estudos filosóficos e da matemática na idade média. Realmente, muito poucas mulheres participaram da academia até o recente século XIX. Em raras exceções, as mulheres ganharam entrada para esses santuários sagrados masculinos e muitos departamentos universitários não admitiram mulheres até o século XX. As universidades estavam criando um espaço para o clero e havia uma exigência de que também fossem celibatários também os acadêmicos. O celibato acadêmico teve uma história longa. A intenção da política do celibato acadêmico, era fazer com que as esposas e filhas dos acadêmicos não tivessem acesso ao conhecimento científico. E só na academia é que a mulher poderia adquirir treinamentos matemáticos. Ainda sendo negado às mulheres a entrada para o locus formal da ciência, elas não estavam completamente ausentes do campo. Da mesma maneira que os homens formaram redes científicas informais, algumas mulheres ganharam acesso, por canais informais. As oportunidades só estavam disponíveis a mulheres nobres que efetivamente trocaram o grau social pela busca do conhecimento científico. Através da posição social, a Princesa Elizabeth de Bohemia se tornou uma correspondente de Descartes. O filósofo francês levou as objeções de Elizabeth seriamente ao dualismo radical e suas as perguntas e críticas o induziram a elaborar novas visões dos princípios de Filosofia, as quais a ela foram dedicados. Descartes escreveu: "A excelência incomparável de seu intelecto é evidente, pelo fato que em muito pouco tempo você dominou os segredos das ciências e obteve um conhecimento perfeito." Descartes teve um papel importante junto à Rainha Christina da Suécia, como professor de filosofia e também como elaborador dos os regulamentos para fundação de uma academia científica sueca. Ao longo do século XVII, houve um grande número de mulheres que expressaram interesse nos estudos de física. A idéia de que as mulheres poderiam Ter grande potencial e fazer contribuições importantes à ciência foi estimulada pela crença de Descartes: Se a mente operar independentemente do corpo, então nada poderá insinuar uma deficiência feminina. A partir dessa idéia, nos finais do século XVII e meados do século XVIII, foi Descartes reconhecido como feminista. Esta visão de Descartes é exatamente oposta à Aristotélica sobre a mulheres. Para Aristóteles, as mulheres eram mentalmente inferiores, uma vez que seus corpos eram mais frágeis que os dos homens. Embora Descartes tivesse apoiado grandes vultos femininos como a Princesa Elizabeth de Bohemia e a Rainha Cristina da Suécia, nunca teve ele um comportamento frontal de defesa do sexo feminino; nunca usou sua filosofia para esta defesa, apesar de considerar que as ciências estavam potencialmente abertas às mulheres. Nas últimas décadas do do século XVIII, já se firmava os grandes estudos da matemática, uma jovem francesa se revelaria no mundo da ciência: Sophie Germain. Viveu em uma era de preconceitos e chauvinismo e para realizar suas pesquisas ela foi obrigada a assumir uma identidade falsa, estudar sob condições terríveis e trabalhar em isolamento intelectual. Através do séculos as mulheres foram desencorajadas a estudar matemática, mas apesar da discriminação houve algumas matemáticas que lutaram contra os preconceitos gravando seus nomes na história da ciência. A primeira mulher a produzir um impacto nessa disciplina foi Theano, no século VI a.C. Ela começou sua carreira como uma das estudantes de Pytagoras e acabou casando com ele. Pytagoras é conhecido como "o filósofo" feminista porque ativamente encorajou mulheres estudantes. Theano foi uma das vinte e oito irmãs da Irmandade Pitagórica. Filósofos como Sócrates e Platão continuariam a convidar mulheres para suas escolas, mas foi somente no século IV de nossa época que uma mulher fundou sua própria escola de matemática, e se tornou muito influente. Hipácia, filha de um professor de matemática da Universidade de Alexandria, ficou famosa por fazer as dissertações mais populares do mundo conhecido e por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos que haviam passado meses sendo frustrados por algum problema em especial escreviam para ela pedindo uma solução. E Hipácia raramente desapontava seus admiradores. Ela era obcecada pela matemática e pelo processo de demonstração lógica. Quando lhe perguntavam porque nunca se casara ela respondia que já era casada com a verdade. E, finalmente, sua devoção à causa da racionalidade causou sua ruína, na ocasião em que Cirilo, o patriarca de Alexandria, começou a oprimir os filósofos, os cientistas e os matemáticos, a quem chamava de hereges. O historiador Edward Gibbon faz um relato vívido do que aconteceu depois que Cirilo tramou contra Hipácia e instigou as massas contra ela: "Num dia fatal, na estação sagrada de Lent, Hipácia foi arrancada de sua carruagem, teve suas roupas rasgadas e foi arrastada nua para a igreja. Lá foi desumanamente massacrada pelas mãos de Pedro, o Leitor, e sua horda de fanáticos selvagens. A carne foi esfolada de seus ossos com ostras afiadas e seus membros, ainda palpitantes, foram atirados às chamas". Logo depois da morte de Hipácia, a matemática entrou num período de estagnação e somente depois da Renascença, foi que outra mulher escreveu seu nome nos anais da matemática: Maria Agnesi nasceu em Milão em 1718 e, como Hipácia, era filha de um matemático. Ela foi reconhecida como um dos melhores matemáticos da Europa e ficou particularmente famosa por seus tratados sobre as tangentes às curvas. Em italiano as curvas são chamadas versiera, palavra derivada do latim vertere, "virar, mas esta palavra também é uma abreviação de aversiera , ou "esposa do diabo. Uma curva estudada por Agnesi (Versiera Agnesi) foi traduzida erradamente para o inglês como "a bruxa Agnesi" e em pouco, a matemática era chamada pelo mesmo título. Embora os matemáticos de toda a Europa reconhecessem as habilidades de Agnesi, muitas instituições acadêmicas, em especial a Academia Francesa, continuaram a lhe recusar uma vaga como pesquisadora. A discriminação institucionalizada contra as mulheres continuou até o século XX, quando Emmy Noether, descrita por Einstein como "o mais significante gênio matemático criativo já produzido desde que as mulheres começaram a cursar os estudos superiores", teve negado seu pedido para dar aulas na Universidade de Göttingen. A maioria do corpo docente argumentou: "Como podemos permitir que uma mulher se torne Privatdozent ? Tendo se tornado Privatdozent ela, pode se tornar professora e membro do Conselho Universitário... O que os nossos soldados vão pensar quando voltarem para a Universidade e descobrirem que devem aprender aos pés de uma mulher? " Seu amigo e mentor David Hilbert respondeu: Meine Herren, eu não vejo como o sexo de um candidato possa ser um argumento contra sua admissão como Privatdozent. Afinal, o Conselho não é uma casa de banhos." Depois perguntaram a seu colega Edmund Landau se Noether era de fato uma grande matemática, ao que ele respondeu: "Eu posso testemunhar que ela é um grande matemático, mas se ela é uma mulher eu não posso garantir." Além de sofrer discriminação, Noether teve muitas outras coisas em comum com outras mulheres matemáticas através dos séculos, como o fato de que ela também era filha de um professor de matemática. Muitos matemáticos, de ambos os sexos, são de famílias de matemáticos, dando origem a indagações sobre a existência de um gene matemático. No caso das mulheres, porém a percentagem é particularmente alta. A explicação mais provável é que a maioria das mulheres com potencial nunca teve contato com a disciplina, ou foi encorajada a estudá-la, enquanto as filhas de professores não podiam evitar viverem rodeadas de números e livros. Além disso, Noether, como Hipácia, Agnesi e a maioria das outras matemáticas nunca se casaram, principalmente porque não era socialmente aceitável que as mulheres se dedicassem a estas carreiras, e poucos homens estavam preparados a esposar mulheres com um envolvimento tão polêmico. A grande matemática russa Sonya Kovalevsky é uma exceção à regra, já que arranjou um casamento de conveniência com Vladimir Kovalevsky, um homem que concordou em manter, com ela um relacionamento platônico. Para ambas as partes, o casamento permitiu que escapassem de suas famílias e se concentrassem em suas pesquisas. E no caso de Sonya, ficou mais fácil para ela viajar sozinha pela Europa, depois de se tornar uma respeitável mulher casada. De todos os países europeus, a França era o mais preconceituoso quanto às mulheres instruídas, declarando que a matemática era inadequada para as mulheres e acima de sua capacidade mental. E embora os salões de Paris tivessem dominado o mundo da matemática durante a maior parte dos séculos XVIII e XIX, somente uma mulher conseguiu escapar da prisão imposta pela sociedade francesa firmando-se como uma grande teórica dos números. Sophie Germain revolucionou o estudo da matemática. Sophie Germain nasceu no dia 1.º de abril de 1776, filha do negociante Ambroise-François Germain. Fora de seu trabalho, sua vida foi dominada pelas agitações da Revolução Francesa – o ano que ela descobriu seu amor pelos números foi o mesmo ano da queda da Bastilha, e seu estudo de cálculo foi obscurecido pelo Reinado do Terror. Seus pais eram financeiramente bem-sucedidos mas a família de Sophie não pertencia à aristocracia. Viveu em uma era de preconceitos e chauvinismo para realizar suas pesquisas foi obrigada a assumir a identidade falsa, a estudar sob condições terríveis e a trabalhar em isolamento intelectual. Embora as mulheres da classe social de Germain não fossem estimuladas a estudar matemática, tinham nocões do assunto para poder debatê-lo, caso o tema aparecesse em uma conversa educada. Para isso havia uma série de livros escritos para ajudarem as mulheres a se inteirarem dos últimos avanços na matemática e na ciência. Francesco Algarotti foi o autor de A filosofia de Isaac Newton explicada para as senhoras. Como Algarotti achava que as mulheres estavam interessadas apenas em romance, ele tentou explicar as descobertas de Newton através de um diálogo entre a marquesa e seu namorado. Por exemplo, o homem delineia a lei do inverso do quadrado da distância na atração gravitacional e a marquesa apresenta sua própria interpretação desta lei fundamental da física. "Eu não posso deixar de pensar (...) que esta proporção dos quadrados das distâncias dos lugares (...) seja verdadeira mesmo no amor. Assim, depois de oito dias de ausência, o amor se torna sessenta e quatro vezes menos menor do que era no primeiro dia." Não é de se admirar que este gênero de livro não tenha inspirado o interesse de Sophie Germain pela matemática. O acontecimento que mudou sua vida acorreu um dia, quando ela estava na biblioteca de seu pai e encontrou A história da matemática de Jean-Étienne Montucla. O capítulo que dominou sua imaginação foi o ensaio de Montucla sobre a vida de Arquimedes. O relato das descobertas de Arquimedes era sem dúvida alguma interessante, mas o que a deixou fascinada foi a história de sua morte. Arquimedes passara a vida em Siracusa, estudando matemática em relativa tranqüilidade, mas quando se encontrava no fim dos setenta anos a paz foi quebrada pela invasão do Exército romano. Diz a lenda que, durante a invasão, Arquimedes estava tão abstraído, estudando uma figura geométrica desenhada na areia da praia, que deixou de responder a uma pergunta de um soldado romano. E o soldado indignado, o matou com uma lança. Germain reagiu a hostilidade encontrada quanto ao se desenvolvimento científico mantendo um estoque secreto de velas e se enrolando nas roupas de cama para fugir ao frio. Libri-Carrucci escreveu que as noites de inverno eram tão frias que a tinta congelava dentro do tinteiro, mas Sophie continuava a estudar, apesar de tudo. Ela foi descrita por algumas pessoas como sendo tímida e desajeitada, mas tinha uma determinação imensa e finalmente seus pais foram vencidos e deram a Sophie o seu apoio. Germain nunca se casou e por toda sua carreira a ajuda financeira de seu pai financiou suas pesquisas. Durante muitos anos Germain continuou a estudar sozinha, já que não havia matemáticos na família que pudessem trazer para ela as últimas idéias e seus professores se recusavam a levá-la à sério. Então, em 1794, a École Polytechnique foi inaugurada em Paris. Ela foi fundada para ser uma academia de elite treinando cientistas e matemáticos para o país. Seria um lugar ideal para Germain desenvolver seu talento matemático , caso não se tratasse de uma instituição reservada apenas aos homens. Sua timidez natural a impedia de enfrentar o corpo de diretores da academia, e, assim, Sophie passou a estudar secretamente na École. Ela assumiu a identidade de um ex-aluno, Monsieur Antoine-August Le Blanc. A administração da academia não sabia que o verdadeiro Monsieur Le Blanc tinha deixado Paris e continuava a imprimir resumos de aulas e problemas para ele. Germain conseguiu obter tudo o que era destinado a Le Blanc e a cada semana entregava as respostas dos problemas sob esse pseudônimo. Tudo ocorreu bem até que, após decorridos dois meses, o supervisor do curso, Joseph-Louis Lagrange, não pôde mais ficar indiferente ao talento demonstrado nas respostas de Monsieur Le Blanc. Não só sua soluções eram maravilhosamente engenhosas, como mostravam uma transformação extraordinária em um estudante que anteriormente fora notório por seus péssimos cálculos. Lagrange, que era um dos melhores matemáticos do século XIX, solicitou um encontro com o estudante recuperado e Germain foi forçada a revelar sua verdadeira identidade. Lagrange ficou atônito, mas contente, ao conhecer a jovem e tornou-se imediatamente seu amigo e mentor. Afinal Sophie Germain encontrara um professor que poderia inspirá-la e com o qual ela poderia manifestar seus talentos e ambições. Como resultado de suas pesquisas e de seus trabalhos, ela recebeu uma medalha do Instituto de France e se tornou a primeira mulher, que não fosse esposa de um membro, a assistir às palestras da Academia de Ciências. No fim de sua vida, Sophie muito amiga de Carl Gauss, foi indicada por ele a receber um grau honorário da Universidade de Göttingen. Tragicamente, antes que a universidade pudesse lhe dar esta honra, Sophie Germain morreu de câncer no seio. Considerando toda sua produção científica, foi ela, a maior intelectual que a França já produziu. E no entanto, estranho como pareça, quando o funcionário do governo redigiu o atestado de óbito desta eminente associada e colega de trabalho dos mais ilustres membros da Academia Francesa de Ciência, Ao invés de qualificá-la, merecidamente, como mathematcience, classifica-a, simplesmente, como rentiere annuitant (mulher solteira sem profissão).Semelhantemente a exclusão de Agnesi da Academia Francesa, foi Sophie Germain também excluída da lista de cientistas que contribuíram para a construção da Torre Eifel. E Sophie deixou trabalhos importantes sobre a Teoria da Elasticidade dos Metais, os quais foram empregados pelos engenheiros construtores daquela obra. E qual a causa de tamanha injustiça? Teria sido exatamente como ocorrera com Agnesi na Academia Francesa, por ser ela mulher? Parece que sim. Se foi este o caso maior é a vergonha sobre aqueles responsáveis por tamanha ingratidão para com alguém que serviu tão bem a causa da ciência. Alguém cujas realizações lhe garantem um lugar invejável na galeria da fama." Depois da Segunda guerra mundial os Estados Unidos assumem a liderança em ciências físicas. Antes desse tempo o foco era na Europa (especialmente na Alemanha de Einstein), o qual se mostrou indiferente com relação ao ensino superior para as mulheres. No século XX ficou ainda muito difícil para mulheres européias ganharem graus mais altos em ciência. Por exemplo, A Universidade de Cambridge não concedeu um Ph.D em física para uma mulher, em 1926 e não era cidadã inglesa, mas americana. Na Alemanha, o centro dos estudos de ciência européia, na maioria das universidades não admitia as próprias alemãs até 1910, até mesmo ao nível de estudante universitária e havia poucas escolas preparatórias acadêmicas para meninas alemãs. Antes da Primeira Guerra Mundial as mulheres européias não tiveram acesso a treinamento avançado, com algumas raras exceções. Uma mulher cuja vida é uma amostra dos obstáculos enfrentados pelas mulheres no século XX é a da física chinesa Chien-Shiung Wu, que muitos acreditavam que devesse ter ganho um Prêmio Nobel. Wu nasceu na China em 1912. Seu pai lhe deu apoio numa época em que na China não era comum as mulheres desenvolverem estudos acadêmicos. A Intenção de Wu era estudar nos Estado Unidos para realizar seu doutorado e assim ajudar a modernizar seu País. Como Marie Curie, ela desejava usar a ciência para ajudar seu País e seu povo. Marie Sklodowska Curie, a primeira pessoa que ganhou dois prêmios Nobel em ciência. Como Laure Bassi afirma, as realizações de Curie são um testemunho de que se as mulheres tivessem tido oportunidades iguais à dos homens, desenvolveriam e acrescentariam muito mais aos estudos da ciência. As contribuições de Curie não eram apenas teóricas, elas tinham aplicações práticas Marie Curie denominou de radioatividade às emissões de urânio, que detectou em suas experiências. Posteriormente, junto com seu marido, Pierre Curie, descobriu os elementos polônio e radio. A radioatividade atualmente, amplamente empregada na indústria médica, assim como na indústria bélica, através da fabricação de poderosas armas radioativas. De qualquer ângulo a vida de Marie Curie (1867-1934) era extraordinária, não só pelo que ela alcançou em ciência, mas a forma como ela entrou no campo da ciência. Sua origem pobre, filha de um professor de física de ginásio cresceu onde o estudo era algo venerado. Embora tenha sido cientista a mulher mais famosa do século XIX, Marie Curie, conseguiu vencer através de muita luta, Existiram outras que também devemos citar pelo mérito alcançado: Sophie Germaim, a matemática francesa já analisada que contribuiu com os estudos da teoria da elasticidade; Sophia Kovalevsky, o gênio da matemática russa que ganhou o Prêmio Bordin, um tipo de Prêmio Nobel de século XIX; Margaret Maltby, a primeira mulher americana a ganhar um Ph.D europeu em física; Hertha Marks Ayrtton, engenheira elétrica inglesa, que apresentou um paper na Sociedade Real. Como Curie, todas essas mulheres tiveram que superar imensos obstáculos para participar do mundo científico. Mas mesmo uma mulher do gênio de Curie enfrentou barreiras junto a comitês de pesquisas, imagine quantos outros gênios de mulheres não sucumbiram ante às perseguições sofridas. Quantos talentos foram desperdiçados, por falta de acesso das mulheres à educação científica? Quem sabe se tantas invenções não foram perdidas por falta da perspicácia feminina na participação nesses experimentos, no século XIX? Que importância teria o fato das mulheres estarem envolvidas na construção do quadro mundial? A razão dessa nossa pesquisa, é que a ciência não é um assunto pronto, é o resultado da interpretação humana em busca do entendimento do quadro mundial. Evelyn Fox Keller, filósofa feminista de ciência, defendeu a posição de que as mulheres podem ter perspectivas novas ao processo de interpretação da natureza. O ponto mais importante da tese de Keller , não é que a mulher seja diferente do homem.A verdade é que, culturalmente, a mulher é diferente do homem, daí ela, freqüentemente interpretar as situações, de modo diferenciados da visão masculina. As diversas experiências culturais de determinadas mulheres, são completamente concebíveis como algo contributos aos debates sobre a realidade da origem do universo. Os físicos sempre reivindicaram que a ciência é eticamente neutra. Mas, recentemente, os cientistas, particularmente os feministas, desafiam essa reivindicação. Para eles, o conhecimento não é neutro, mas é sempre o resultado de alguma intenção. Pytagoras, se comportava como um filósofo ético, mesmo estando grande parte de sua vida longe da figura feminina. Como em qualquer sociedade, as melhores metas emergem junto dos sonhos de homens e mulheres. Atrás de dois mil anos e meio, o tempo veio para o homem matemático abraçar a sociedade de mulher matemática. O tempo veio para uma ciência matematicamente baseada, pressentida e praticada igualmente através de ambos os sexos. |
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