DIVULGAR LA CIENCIA

XIV Jornadas internacionales de comunicacíon

4 y 5 de noviembre de 1999

 

QUEBRANDO OS TETOS DE VIDRO

Autor
Betania Maciel

Titulação:br> Doutoranda em Comunicação Social – Universidade Metodista de São Paulo - Brasil - UMESP- PÓSCOM/P>

Vinculação profissional
Professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Resumo
Mulher e a participação nos meios de comunicação científica e tecnológica são os temas de reflexão das páginas seguintes. Contemporâneo é o período ou o cenário onde os temas estão dispostos. Agora, a sentença: a questão que orienta este trabalho é a da forma como, na contemporaneidade, o processo de divulgação científica feminina encontra expressão e ressonância na mídia. Espaço de expressão, na medida em que elas, as mulheres cientistas também possam divulgar suas pesquisas, a materialidade reproduzida, e as possibilidades de execução, de experiência e de sensibilidade, considerando que figura feminina, ao longo da História, assume diversos papéis. Contudo, é mais recentemente que as mulheres tem ocupado a posição de produtora do conhecimento científico. Nesse setor, apesar de sua presença ocorrer de forma crescente e cada vez mais intensa, ainda é eminentemente minoritária. O número de mulheres em pesquisa científica é minoritário, na maior parte dos países, de acordo com o relatório emitido em Paris, no mês de abril de 1995. De acordo com esta mesma edição da revista Science, o segundo relatório de ciência mundial inclui uma seção em que se trata a dimensão de gênero em ciência e tecnologia.

DESENVOLVIMENTO

Esta pesquisa evidencia as disparidades de gênero com relação ao acesso à educação científica e oportunidades de carreira, especialmente nos países em desenvolvimento.

O segundo relatório de ciência mundial lamenta a baixa representação de mulheres em pesquisa científica e no corpo administrativo. O Conselho Hicher na França para pesquisa e tecnologia, por exemplo, computa apenas 2 mulheres entre seus 40 sócios, e o Comitê Ministerial Supremo do Egito para Ciência, Pesquisa e Tecnologia inclui uma mulher entre 12 homens. Os Estados Unidos vêm em menor escala; dos 18 sócios do Comitê Presidente de Conselheiros em Ciência e Tecnologia, 6 são mulheres.

Recentemente os ministérios de pesquisa dos países da União Européia apoiaram planos da Comissão Européia para promover as mulheres, aumentando seu papel nos comitês consultivos de programas de bolsas.

"As mulheres não estão fortemente envolvidas no quadro de mudança tecnológica e científica", diz Sandra Harding, co-autora da seção do relatório emitido em Paris e também professora de filosofia da Universidade da Califórnia, Los Angeles. Mas "desenvolvimento científico não pode acontecer sem que as mulheres estejam participando".

O relatório contendo 356 páginas, observa também as infra-estruturas científicas e elabora perguntas éticas a pesquisadores, com objetivo de confrontar a situação das mulheres em ciência, ao redor do mundo .

Estudos sobre a mulher e gênero conseguiram evoluir significantemente nos vários centros de pesquisa do País, como por exemplo no Centro de Estudos Sociológicos da UFRJ e também na Unicamp. No nordeste, os estudos são desenvolvidos na Faculdade de Ciências Sociais da UFPB e no departamento de Sociologia e Antropologia da UFPE. Os trabalhos desenvolvidos neste departamento gozam de prestígio e respeito pela qualidade e dinamismo e pela interlocução direta que têm estabelecido com o movimento feminista, possibilitando um amadurecimento teórico político, que tem contribuído para uma intervenção mais aprimorada do mesmo. Esses estudos, entretanto, só foram evidenciados no mundo acadêmico, na década de setenta, quando pesquisadoras feministas ousaram fugir do estigma de minorias e passaram a estudar a mulher cidadã.

A proposta é de avaliar como a divulgação sobre a problemática da mulher na ciência, veiculada através de três periódicos mundialmente reconhecidos, tem sido recebida pelos pesquisadores brasileiros e espanhóis.

Em 1993 a revista Science dedica vários números à questão da participação da mulher no meio científico. Em 16 de abril de 1993, foi divulgado uma matéria de mais de 50 páginas sobre essa questão, onde se faz um levantamento geral da situação da mulher em diversos países, abordando temas, que fazem parte do dia a dia de pesquisadoras.

É do conhecimento de todos nós que as mulheres enfrentam uma batalha para tentar construir uma carreira séria em ciência. A visibilidade da Revista Science foi promover um apoio a essas mulheres, publicando seções especiais deste periódico. A tônica geral dos artigos é relacionada a mulheres cientistas que têm filhos, ressaltando que na maioria das culturas, essa responsabilidade é delas, embora em alguns exemplos é declarado que os pais colaboram, nos cuidados com a criança. Fica claro, porém que os cuidados gerais, as responsabilidades e a maioria dos sacrifícios, ainda pertencem às mulheres.

Como pode existir uma mulher cientista de meio período? Eis a indagação principal.

Um dos assuntos abordados nesta edição é a possibilidade da mulher quebrar fronteiras e realizar estudos e pesquisas de ponta e ainda manter simultâneamente, uma vida familiar. Isto não é realmente fácil, contudo foi organizado um programa de apoio aos filhos para que elas pudessem trabalhar eficazmente e rendosamente.

O Whitehead Institut é conhecido atualmente, pelo índice de citação de ciência em termos de impacto de publicações e a freqüência com que os cientistas são mencionados. É importante enfatizar que neste trabalho foram encontradas citações de estudantes, mulheres diplomadas, pesquisadoras com pós-doutorado mães de crianças pequenas.

A pesquisadora americana Márcia Barinaga (EUA), elaborou alguns estudos sobre pesquisadoras femininas onde comparou a produção científica de mulheres, nos EUA, Grã-Bretanha, Japão, Alemanha, Itália, Portugal, Turquia, Filipinas, Índia e Suécia. Ouviu pareceres de mulheres que atuavam na ciência, apesar de todos os reveses e como transpunham os obstáculos que surgiam. Seu trabalho foi basicamente elaborado em cima da perspectiva de como o gênero pode influenciar todo o modelo de uma pesquisa.

Podemos obter várias formas para entender o sentido do que é ciência:

"As ciências podem ser entendidas como um conjunto de métodos bem caracterizados pelos quais o conhecimento avança e é validado; um conjunto de conhecimentos acumulados através da aplicação destes métodos; um conjunto de valores culturais e costumes que governam as atividades denominadas científicas ."

Virgínia Morell (EUA), examina o problema historicamente. Um estudo de caso, em como o gênero pode influenciar a organização e elaboração de pesquisas dentro de uma comunidade científica.

"Existe ainda uma série de outros elementos que entrariam em uma caracterização mais completa da ciência como um sistema social, dentre os quais sobressai a existência de um sistema de autoridade que zele pelos critérios de probidade intelectual, plausibilidade e aceitabilidade de resultados, critérios que em geral não fazem parte, explicitamente, da metodologia científica, mas são, não obstante, parte integrante e fundamental de seu funcionamento."

Anne Pyburn, professora da Universidade Arqueológica de Indiana, elaborou um estudo que busca soluções para entender porque a educação científica se fecha em reduzido número de mulheres e observa programas para reverter esse processo e como a comunidade científica funciona com um número inferior de mulheres e maior possibilidade para os homens ingressarem no meio.

A Revista Science realizou uma pesquisa sobre a "mulher na ciência", através de 500 leitores, os quais escreveram ou enviaram Fax para a seção Mulher e Ciência, criada em 1992. Como resultado foi elaborado um ensaio em 1993, o qual amplia a visão do problema mostrando novas facetas nunca anteriormente abordadas pela revista.

Foram referidos vários temas recorrentemente. Muitas das correspondências enviadas enfatizavam o fato das reportagens investirem no sucesso das pesquisadoras, enfocando os obstáculos enfrentados por elas. Essa crítica conduziu diretamente ao tema do assunto do ano da publicação dessa matéria: A Cultura de Ciência.

Esse material vem sendo divulgado não apenas para dar informações, mas está sendo estudado mais profundamente na Universidade de Michigan. A revista Science elaborou questionários e teve respostas como as já citadas. Após cada publicação sobre o tema, onde se apresentavam artigos relacionados com os questionários enviados pela revista, artigos subseqüentes eram elaborados, utilizando as respostas obtidas.

Em 23 de julho do mesmo ano, a revista dedica seu editorial de capa ao assunto: Mulher e Ciência, existe um estilo feminino?

A nota do editor da Revista Science,, esclarece que esse tema foi muito requisitado pelos leitores, que se obteve um número considerável de respostas às matérias já publicadas anteriormente e que continuariam escrevendo artigos sobre o tema, de acordo com as perguntas mais freqüentes. Atribuindo o sucesso das reportagens ao fato de colocar ao término de cada seção, a possibilidade de contribuir com respostas e opiniões sobre uma pergunta central relativa ao assunto.

A deste ano foi: Existe um estilo feminino de fazer ciência? Foram enviadas mais de 200 respostas, das quais as mulheres foram responsáveis pela maioria, (aproximadamente 30 eram de homens). Este foi o grupo leitor-resposta, embora as respostas fossem interessantes, ainda foram feitas pesquisas sobre os leitores, que não enviaram respostas e foram sim entrevistados.

Dos 200 entrevistados, mais da metade responderam que há um estilo feminino próprio em fazer ciência. Quanto a essas pesquisas, foram oferecidos aos leitores uma variedade de opções dentre as diversas áreas. Destacou-se a seguinte indagação: o estilo de gênero poderia afetar no resultado da ciência? Uma grande maioria respondeu que o gênero tem alguma, ou muita influência nos resultados científicos. Outro grupo menor opinou que o gênero afeta muito pouco e/ou resultado e a escolha do tema.

Quando foi indagado aos leitores se a cultura de ciência deveria ser mudada para se tornar mais acessível às mulheres, quase 3/4 dos que responderam positivamente. Alguns comentários típicos eram que a competição desumana poderia ser substituída por cooperação, ficando clara a necessidade de se dar menos ênfase ao comportamento agressivo.

Evidenciou-se que, na produção científica, não é necessária, a intensa competitividade e sim a cooperação. Outros mencionaram o fardo desigual do cuidado com as crianças, que na maioria dos casos é responsabilidade das mulheres. Esses leitores levantaram perguntas organizadas, não só para a ciência, mas para toda a sociedade como um todo. As discussões sobre as soluções ficaram para edições futuras.

Um ano depois os editores retomam esse tema e aprofundam as questões. Em 1994 os artigos foram elaborados considerando as expectativas dos leitores e também as entrevistas e cartas enviadas para a redação, como vinha ocorrendo anteriormente.

Em 1994 o artigo publicado na Revista Science, abordava a comparação entre culturas, e esta comparação foi feita entre vários países.

Assim vamos mostrar algumas apreciações feitas por várias cientistas, as quais labutaram em diversos países e externaram as dificuldades que tiveram de transpor, a fim de apresentar uma produção científica.

Segundo Kingsburg, astrônoma canadense, que fez PhD na Inglaterra em 1992 e pós doutorou-se no México, a educação neste país é limitada às classes mais altas. Na academia mexicana, diz ela, o número de mulheres é maior que na Inglaterra. A cadeira do departamento de Astronomia na Universidade do México é de uma mulher e 1/3 da faculdade é composta de mulheres. Fazendo um paralelo com a Universidade de Londres, onde foi estudante diplomada, ela afirma que dentre 64 sócios das faculdades de física havia apenas 6 mulheres, o que evidencia uma inferioridade numérica, em relação à Universidade do México.

A física polaca Iwona Sakrejda, é professora na Universidade de Creighton em Omaha Nebraska, acredita que os números altos de investigadoras femininas em países comunistas é devido à política que estava em vigor na Polônia, quando estava em crescimento. O ensino de ciência era obrigatório nas escolas secundárias, os estudantes tinham chance de experimentar e superavam as dificuldades através do gosto pela ciência. Meninos e meninas aprenderam muito mais em escolas polonesas, diz Sakrejda. Nós fomos obrigados a estudar ciência e tivemos muito incentivo.

A crítica maior de Sakrejda às escolas dos Estados Unidos, onde hoje ela tem dois filhos estudando, é que a matemática e a física são opcionais, não é um estudo obrigatório, o que facilita a fuga dos alunos dessas disciplinas, uma vez que elas exigem uma maior dedicação.

Chiara Nappi, nascida e educada na Itália, hoje é teórica em física no Instituto de Estudos Avançados de Princeston. Acredita que a ciência e a matemática deveriam ser disciplinas obrigatórias combinada a uma política de ensino, que premiasse as mulheres em graus avançados em ciência e matemática (ver história das mulheres em físicas e matemática).

Ela contrasta a situação na Itália com a que ela vê nos Estados Unidos, que se passa da seguinte forma: ou você tem talento em ciência e matemática ou você não consegue fazer seus estudos. Na Itália e em outros países da Europa meridional diz ela, a filosofia de ensino é que você deve fazer e depois melhorar. Sob essas condições as meninas desde cedo começam a ter intimidade com os estudos de ciência e matemática. Essas exigências mo curso são desenvolvidas igualmente para meninos e meninas. Esta política é segundo Sakrejda, preferível à adotada nos Estados Unidos.

A física Narasimahan, nascida na Índia, por exemplo, diz que foi beneficiada na escola secundária em sua cidade Bombay. Naquele ambiente recorda ela, nenhum assunto foi considerado fora do alcance das meninas e nunca ocorreu de se direcionarem as opções de seguir carreira em ciência ou artes. A situação era livre e o que determinaria seria a vocação. Como em outras áreas, o assunto sobre cultura é bem polêmico. A astrofísica Sara Beck contrasta os Estados Unidos onde ela foi educada e onde obteve seu primeiro trabalho em faculdade, com Israel, onde hoje ela é professora na Universidade de Tel Aviv. Ela diz que Israel sai à frente dos Estados Unidos com relação ao apoio que é dado às mulheres as quais querem seguir carreira. Diz também que é difícil criar filhos e constituir uma família para as mulheres que trabalham nos Estados Unidos

Em Israel há 3 meses de licença de maternidade, centros de cuidado com a criança durante o dia. O apoio a maternidade é claro e fácil. A experiência de Beck em Israel comparada com os Estados Unidos, se assemelha a observações feitas por outras mulheres do Sudeste europeu e da América Latina.

As mulheres na França tem apoio do governo em relação à educação das crianças, diz Encrecaz, diretora do Observatório de ciência espacial de Paris, que tem realizado suas pesquisas e também viajado a outros países. Podendo investir em sua carreira, na França é possível a mulher desenvolver trabalhos de pesquisas porque tem a ajuda do estado, diz ela. E a escola tem um horário que coincide com o horário regular de trabalho da maioria das pessoas, enquanto que nos Estados Unidos, o dia escolar termina mais cedo e o cuidado de dia é mais caro. Além da disponibilidade do cuidado de dia com a crianças, as mulheres falam da visão geral da integração da família e trabalho em países latino americanos e do mediterrâneo.

"Nos Estados Unidos, a maneira como as universidades são estruturadas, o tipo de demanda favorece as pessoas que tem alguém respondendo pela casa".

Judith Perry, astrônoma da Universidade de Cambridge, achou a confirmação para esta idéia em dados reunidos pela União Internacional de Astronomia (IAU).

"Se olharmos o percentual da delegação feminina do IAU, parece que houve uma discriminação visível , a média internacional comparada com a participação masculina é de 11%. Os países latinos então, França, Espanha, Argentina, México estão participando em média, bem mais que os Estados Unidos e países Asiáticos." A questão da religião é fator importante na participação feminina. O trabalho protestante e moral, discute Perry, dita as resoluções de vida nos Estados Unidos e também em alguns países latinos e isso impede que as mulheres desenvolvam seus estudos em detrimento da formação da família, justificando que essa é uma vida mais saudável. Em geral, uma vida mais saudável para a sociedade tem que incluir seguramente mudanças, a mulher se habilitando para alcançar igualdade econômica com os homens e apoio para equilibrar as demandas, tanto na vida familiar como no trabalho. De que forma essas mudanças serão realizadas, é uma pergunta aberta. As respostas, sem dúvida alguma dependerão da estrutura de classe, trabalho moral e sistemas de educação. Para os interessados em melhorar o status da mulher em ciências é necessário prover essas áreas.


© Betania Maciel
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